e as coisas não-ditas, essas nunca vão embora. emaranhado de palavras dançando, enredando pensamentos imperfeitos. é o que permanece. nas entrelinhas. nos suspiros, nas lágrimas sufocadas. queimando. fermentando mágoa. pacotinhos de mágoa acumulados. nunca vão embora.
aconteceu de novo
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
1 saudade: treino com facas.
eu tenho essa sensação. um dia vou descobrir que Caio me excluiu do grupo e está dando aula em um galpão abandonado, em um lugar ermo, com senha secreta que muda toda semana. só uma sensação.
update: Caio me mandou e-mail. hoje. adivinha quem vou voltar a treinar?? dica: euzinha. todas fica feliz. :D
update: Caio me mandou e-mail. hoje. adivinha quem vou voltar a treinar?? dica: euzinha. todas fica feliz. :D
sábado, 26 de maio de 2012
daí me chamaram pra ir numa festcheenha na rep dos gringos.
(festa em república me lembra os ~churrascos~ na casa dos meus amigos da faculdade. meia dúzia de gente, uns naco de carne e umas linguiça numa grelha, em cima de uns par de tijolo, e zero álcool. claro que eu fugia e corria pra casa do namoradinho. a mãe dele tinha um bar e a gente passava a noite bebendo, fumando e jogando sinuca. eu tinha 24 e ele, 17. eu de moto, ele de camelo. eu tinha tinta no cabelo, estava na segunda faculdade e nas aulinhas de inglês. quase um 'eduardo e mônica'. mas ele...bom, ele era campeão de sinuca, largou a escola, fugiu pro mato grosso. e o apelido do eduardo era *abobrinha*.)
a festa. ingresso caro e gente ~alternativa~. fugimos pra roda de samba. cerveja quente e gente ainda mais alternativa. fiquei chapada por tabela. não fiquei bêbada, não dei fiasco, não peguei ninguém. voltei pra casa na maior larica. fim.
uma palavra? desgosto.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
daí eu voltei pro taekwondo. final do semestre passado teve aquele mimimi do exame de faixa e teve euzinha fazendo drama no hotmail da Malu. blablabla não sei lutar blablabla não tenho espírito indomável blablabla sou uma fraude. aí Malu me mandou um longo e-mail, quase um livro de autoajuda. poderia ser um desses arquivos em power point com bebês fofos que meu pai me manda. então eu voltei esse semestre. contem comigo, amiguinhos:
- 3 treinos;
- 157 faltas;
- 1 joelho roxo;
- 1 queda de pressão;
- 1 quase-desmaio;
- 1 Malu apavorada.
e eu estou aqui né. paguei o dinheiro do material, preenchi ficha, tirei uma foto 3x4 horrorosa, que provavelmente vai me acompanhar pelos próximos 3 anos. e teve mais e-mail mimimi pra Malu porque a vergonha não acaba. já faz um mês e eu não voltei. quer dizer, eu desisti. só não admiti. não é oficial porque ainda estou no grupo do facebook (sim, eu voltei. status atual: trollando minha próxima ex-cunhada e sendo trollada por prima que posta foto antiga, aquela vaca). a verdade é que eu não consigo me sentir parte do grupo. e tem Malu fazendo terrorismo. 'isso é forte, ju?' é o novo 'cê acha que sua bunda não vai cair, juliana?'. (configura bulle se a pessoa é toda fofa, fala mansinho e chama de ju?) e, assim, eu sou uma senhora, sabe. Malu podia torturar aquelas crianças nascidas em 1995 e me deixar de café-com-leite. mas, enfim, situação tá periclitante, não caibo mais nas minhas calças etc. aí hoje eu resolvi entrar na academia. decidi pagar aquela mensalidade que é de cair o cu da bunda e fazer minha matrícula. fui até a porta da academia e amarelei. suei frio, tremi as perna tudo e amarelei. do verbo ~mijar pra trás~. também conhecido como ~peidar na farofa~. virei as costas e voltei pra casa. pra debaixo das cobertas, onde eu não preciso interagir com gente de regata. mas antes eu passei no supermercado pra comprar umas guloseimas porque não dá pra sofrer sem chocolate. desculpa pai, desculpa brasil.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
eu queria não ter descoberto o google analytics. porque daí eu não saberia de certas coisas. pessoa chegou até aqui pesquisando "sexo no baile funk". veja bem, eu acho que seu problema seria resolvido em qualquer redtube da vida. mas quem sou eu. e teve pior. uma criatura chegou nesse bloguinho com a seguinte pesquisa: "eu dei para meu sobrinho". olha.
tirem aí suas conclusões, to sem condições.
terça-feira, 8 de maio de 2012
vou resumir:
mimimi cabo dinheiro mimimi to gorda mimimi num guento mais aula mimimi ele não me quer mimimi ninguém me quer mimimi to gorda mimimi não consigo escrever mimimi vou jogar uma bomba de cocô na porta do vizinho mimimi quero voltar pra casa mimimi to gorda mimimi cade boteco mimimi putaquepariu já é final de semestre mimimi fudeu.
pronto. passa amanhã.
beijo.
domingo, 6 de maio de 2012
cês lembram do episódio 'máquina de lavar'? então, aconteceu de novo. não, não foi comigo. diz que as três máquinas estavam todas ocupadas, de novo. com roupa limpa que nego ~esquece~ de pendurar. daí a moça do 15 catou as roupas e empilhou no murinho pra lavar a roupa dela. daí chegou o dono das roupas, o espertão do 11, e rolou barraco. mãozinha na cintura e ~queridinho~. comé que eu sei? a menina do 5, irmã do guri do 11, tava contando a treta pra mãe. a fia tava reclamando que lavou a roupa, mas a moça do 15 ocupou todo o varal e é pouco varal e é pouca máquina. gente, 16 pessoas. sabe? e, assim, a fia contando todo o acontecido pra mãe debaixo da minha janela. porque o sinal do celular não pega bem dentro de casa. daí eles vão pro corredor e eu sou obrigada a saber da vida de todo mundo. eu queria dizer pros meus vizinhos que o sinal pega muito bem no banheiro e eles podem conversar sentados confortavelmente na privada. eu queria ensinar pra eles o conceito de: fone de ouvido. na verdade, eu queria ensinar o conceito de noção, bom senso etc. mas como lidar?
daí tava aqui lembrando. eu morava num lugar bacana. eu só tive que bater na porta de vizinho por causa de barulho na madrugada umas quatro vezes. mas o lugar era legal. até eu voltar de viagem e descobrir que minha casa tinha sido assaltada. bota reparo na leseira da pessoa. eu cheguei 6h, depois de 11h de viagem, e vi que a fechadura estava quebrada. mas não pensei em assalto. achei que o pessoal da imobiliária tinha feito merda. entrei e não senti falta de nada. de novo, achei que fosse merda da imobiliária. resolvi tirar um cochilo até a hora do comércio abrir. daí o celular despertou e eu fui procurar o telefone pra ligar na imobiliária. então eu percebi. 2h depois eu *notei* que entraram na casa e levaram o celular. daí fui olhar pra ver se tava faltando mais alguma coisa. dei por falta da torradeira antes de perceber que tinham levado o microondas. o MICRO-ONDAS. aí eu chego na delegacia e sou trollada pelo escrivão porque eu não notei a falta do MICRO-ONDAS. 'mas gente, bateram na cabeça da juliana pra ela NÃO ver que tava faltando o M I C R O - O N D A S, só pode.' eu sofrendo e a delegacia inteira me zuando. acho que um mês depois eu descobri que tinham roubado meu relógio. era um relógio oval, com os 4 números principais grandes, estilizados. lindo, mas eu não conseguia ver as horas. passei muita vergonha. não senti falta dele.
aí quebrei o contrato e hoje estou nessa acolhedora comunidade. fim.
sábado, 28 de abril de 2012
eu ainda estou no mimimi casamento do meu primo. não é recalque, juro. só estava aqui me lembrando de uma carta. porque eu sou a rainha das cartinhas cafonas. e a gente trocou muita cartinha a vida toda. e, em algumas delas, ele desenhava. porque ele tem talento pra essas coisas. uma vez, ele fez uma caricatura minha. daí aconteceu. e, antes dele viajar pro estrangeiro, eu enviei a última. e, puta merda, que coisa cafona. tipo 'eu te amo blablabla vou ser sempre sua blablabla'. (só pra constar: estou escrevendo embaixo da mesa, de vergonha.) e acho que escrevi pior. daí ele viajou, mudou, casou. e essa carta tá perdida por aí. eu fiquei pensando em tantas outras cartas perdidas. como as que eu escrevia para o meu tio-avô, que eu adotei como avô. e eu falava de muita coisa. da relação com minha família, das minhas questões com o deus dele. da doença. e sempre tive respostas carinhosas, em papel datilografado. eu contei do meu namoradinho na época. que eu queria fugir, casar e ter uns barrigudinhos. daí namorado se mudou pro umbigo do mato grosso, pra morar com o pai. pro fim do mundo onde o pai dele, que era prefeito de uma cidadezinha, se escondeu depois de limpar os cofres públicos. daí esse tio-avô foi morar na minha cidade. e no início foi tudo lindo. mas o negócio desandou, nem sei ao certo. acho que uma desinteligência com o genro bêbado. e ele se afastou. ano novo, quando ele apareceu, eu disse que a gente precisava ter uma conversa séria. e aí ele só me lembrou: 'olha, tenho suas cartas'. meu avô postiço me chantageando.
e é por isso que eu não escrevo mais carta. agora só mando link do blog.
é. eu não aprendo.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
eu deveria estar arrumando as malas pra viajar pra BH amanhã. pro casamento do meu primo, por quem eu fui apaixonadinha a vida toda. o primo com quem eu tive um ~rolinho~ antes dele embarcar pra londres, achando que ficaria rico, mas só lavou muita louça e ariou panela até arrumar uma mineira herdeira. pois é. não vou porque to com dor-de-cotovelo, certo? não. não vou porque tenho muito trabalho. ok, na verdade, não vou porque eu. não. entro. no. meu. vestido. e to jurando que a fase *porca gorda* é temporária e imagina que eu vou comprar roupa 44. daí que meus pais estão há dois dias saracoteando por minas gerais. e eu deveria estar feliz porque eles finalmente saíram de casa e estão se divertindo. eu deveria estar fazendo piadinha com mineirês e pão-de-queijo. mas não. eu to fazendo papel de mãe, sabe. mas por que não me ligou? pegou o casaco? mas como assim não reservaram hotel?? e eu me dei conta. puta merda, to num mau humor da porra. to num azedume que, olha. posso ver dr. jekyll me recomendando piroca. e, enquanto eu to tendo essa revelação, o menino-pastor (a.k.a., vizinho peidão) tá ~estudando a bíblia cos irmão~ via skype. aí vocês pensam: feriado, vai pro buteco, pega uns garçom. né? não. vou passar feriado preparando seminário e fazendo uma resenha pra orientadora que eu não vou terminar e vou adiar de novo e etc. olha. mas OLHA.
tá delícia. tá gostoso.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
sei não. não consigo me decidir se eu surto de vez ou se me agarro a esse fiapo de lucidez que ainda me resta.
porque eu devo estar lúcida pra desconfiar do diagnóstico da psiquiatra. ou muito perturbada, sei lá. ela preencheu muito rápido aquela receita azul. tudo bem, eu estava chorando, agarrada numa caixa de sapato com barquinhos de papel, mini-família de pano, girafinhas etc. mas sou eu. isso não é argumento válido. a fia não tinha lido a minha ficha porque a bonita antes de mim atrasou. esperei por uma hora, pensando na vida. e eu não posso ter tempo pra pensar. não posso parar pra pensar. eu só tenho que fazer o que precisa ser feito. mas esse ainda não é o ponto. a fia leu meu histórico e decidiu que eu tinha angústia. entre uma olhadela e outra no celular, ela resolve confirmar: 'é só as crises de choro, né?'. não, sem crises. na última semana, eu chorei em determinados momentos e sabia o porquê. uma música, uma carta, um vídeo. aí ela decide que é só ansiedade. antes mesmo de eu tentar entender e explicar o que estava sentindo, ela já tinha preenchido a receita. ok, eu não fui com a cara dela e esse é o critério usado por essa pessoa super madura. a verdade é que fiquei me perguntando. por que caralhos de asas eu não voltei pro dr. você-tem-que-se-olhar-no-espelho-e-dizer-eu-sou-foda, que também trata do meu irmão e da minha tia (uma família equilibrada, percebam). ele é um doce, me entende, me traz uma paz imensa. e preenche as receitas com canetas coloridas e desenha quantos comprimidos eu devo tomar.
olha, duas semanas atrás eu imploraria por remédio. mas não é o caso agora. não é angústia, não é ansiedade. é só vazio. está tudo tão claro. eu sei qual foi o gatilho. eu entendo os porquês de toda essa inadequação, dessa sensação permanente de não pertencer. consigo enxergar as pontas soltas, as incongruências. e eu não me entreguei, ainda. a verdade é que eu poderia ter dito. mas não disse. só repeti um monte de respostas prontas que eu fui elaborando ao longo dos anos. porque eu cansei. não estou fazendo sentido, eu sei. o fato é que resolvi não tomar remédio. ao menos, não até ter outro surto. e também não vou fazer terapia porque eu cansei. eu. cansei. CANSEI.
(estou aguardando e-mail de tereza cristina em caixa alta, cheios de !!!!!!!!!!111)
porque eu devo estar lúcida pra desconfiar do diagnóstico da psiquiatra. ou muito perturbada, sei lá. ela preencheu muito rápido aquela receita azul. tudo bem, eu estava chorando, agarrada numa caixa de sapato com barquinhos de papel, mini-família de pano, girafinhas etc. mas sou eu. isso não é argumento válido. a fia não tinha lido a minha ficha porque a bonita antes de mim atrasou. esperei por uma hora, pensando na vida. e eu não posso ter tempo pra pensar. não posso parar pra pensar. eu só tenho que fazer o que precisa ser feito. mas esse ainda não é o ponto. a fia leu meu histórico e decidiu que eu tinha angústia. entre uma olhadela e outra no celular, ela resolve confirmar: 'é só as crises de choro, né?'. não, sem crises. na última semana, eu chorei em determinados momentos e sabia o porquê. uma música, uma carta, um vídeo. aí ela decide que é só ansiedade. antes mesmo de eu tentar entender e explicar o que estava sentindo, ela já tinha preenchido a receita. ok, eu não fui com a cara dela e esse é o critério usado por essa pessoa super madura. a verdade é que fiquei me perguntando. por que caralhos de asas eu não voltei pro dr. você-tem-que-se-olhar-no-espelho-e-dizer-eu-sou-foda, que também trata do meu irmão e da minha tia (uma família equilibrada, percebam). ele é um doce, me entende, me traz uma paz imensa. e preenche as receitas com canetas coloridas e desenha quantos comprimidos eu devo tomar.
olha, duas semanas atrás eu imploraria por remédio. mas não é o caso agora. não é angústia, não é ansiedade. é só vazio. está tudo tão claro. eu sei qual foi o gatilho. eu entendo os porquês de toda essa inadequação, dessa sensação permanente de não pertencer. consigo enxergar as pontas soltas, as incongruências. e eu não me entreguei, ainda. a verdade é que eu poderia ter dito. mas não disse. só repeti um monte de respostas prontas que eu fui elaborando ao longo dos anos. porque eu cansei. não estou fazendo sentido, eu sei. o fato é que resolvi não tomar remédio. ao menos, não até ter outro surto. e também não vou fazer terapia porque eu cansei. eu. cansei. CANSEI.
(estou aguardando e-mail de tereza cristina em caixa alta, cheios de !!!!!!!!!!111)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
pessoa precisa, mas tipo, P R E C I S A lavar roupa. acorda ~cedo~ pra aproveitar o sol depois de dois dias de chuva. qui qui acontece? hã? as três máquinas de lavar, AS TRÊÊÊS MÁQUINAS de lavar do condomínio estão cheias de roupa alheia. porque alguma espertona usou as máquinas à noite e ~esqueceu~ de estender as roupas pela manhã. pensei em salpicar canela em pó nas roupas, qui qui ceis acham?
acho que eu vou fazer plantão na lavanderia pra pegar a espertona no pulo.
*mãozinhas nas cadera, batendo pezinho*
- muito bonito, quiridinhaaaaa
devo chamar de feia, boba e cabeça de melão?
(olha, não tenho mais twitter. vou reclamar dessas coisinhas aqui mesmo. me deixa.)
quinta-feira, 12 de abril de 2012
e cês acharam que eu tinha atingido todos os níveis de constrangimento, hein? olha, se tem uma coisa que eu aprendi é: sempre pode ficar mais embaraçoso.
ontem eu estava aqui toda envolvida nas discussões sobre o julgamento do direito de interrupção da gravidez de fetos anencéfalos. não vou defender causa, não vou levantar bandeira. não cabe aqui. mas eu chorei o mundo com a história das severinas e tatielles e tantas outras mulheres invisíveis. não, não tem nenhum sentimento nobre nisso. tem alguma coisa de reconfortante em perceber que seu coração não está empedernido. que você ainda consegue sentir empatia. tem muito de alívio em chorar por uma causa, por alguma coisa real, plausível. egoísmo puro, enfim.
então eu estava aqui toda envolvida, quando alguém bate na porta. vizinho com cara de moribundo, gemendo de dor, pedindo pra eu acompanhar ele no hospital. puta merda, quase me borrei. num minuto eu botei uma roupa decente, catei minhas coisas, chamei táxi, prometi pra mãe no telefone que ia socorrer filho dela. gente, eu só tinha trocado duas palavras com o menino. não sabia nem o nome. depois de esperar por dois táxis que não chegaram, resolvi pegar ônibus. perdemos o primeiro porque euzinha sou cega e, além de descabelada, estava sem óculos. e O MENINO É LERDO. pegamos o segundo porque mocinho bonito no ponto teve a bondade de parar o ônibus e o motorista caridoso fez o favor de nos deixar na esquina do PS. eu tive que preencher a ficha dele com meus dados porque O MENINO É LERDO e não foi capaz de dar nem o número de telefone. não, gente. o menino não estava sofrendo um enfarte ou tendo um AVC. o menino estava com DORES NA BARRIGA. olha, eu não consigo descrever o meu ~desconforto~ em acompanhar menino na triagem e na consulta, com toda a sua pedantice de vou-ser-enfermeiro, explicando detalhadamente todos os sintomas. eu fui informada de todas as alergias e rinite e bronquite e ites do menino. recebi informação sobre os hábitos alimentares e os movimentos peristálticos dele. soube que ele toma yakult porque tem intestino preso e toma luftal porque sofre de ~gazes~. eu já tinha contado todas as rachaduras no teto, já tinha inventariado todos os móveis e já tinha inspecionado todas as minhas cutículas, quando fui informada da consistência do cocô do menino. OLHA,
médica deu umas apalpadelas na barriga do menino e decidiu que ele tinha cólica biliar. ela não disse que eram gazes pra não me deixar ainda mais constrangida, tenho certeza. deram medicação pra dor e mandaram pra casa com receita de buscopam.
médica deu umas apalpadelas na barriga do menino e decidiu que ele tinha cólica biliar. ela não disse que eram gazes pra não me deixar ainda mais constrangida, tenho certeza. deram medicação pra dor e mandaram pra casa com receita de buscopam.
porque não basta ter que lidar com a merda da minha vida. eu preciso saber da merda do vizinho. putaquepariu vcs.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
conheci o fantástico mundo do serviço de apoio psicológico e psiquiátrico da universidade. eu relutei, confesso. porque minha última tentativa não foi exatamente bem-sucedida. Dr. Jekyll praticamente me disse que meu problema era falta de sexo. eu estava ali devastada e Dr. Jekyll me perguntando se eu usava algum ~objeto fálico~ pra me masturbar. putaquepariu vcs. e fiquei me perguntando por que caralhos de asas eu procurei anúncio num jornal ao invés de voltar na minha psicóloga. ok, Tereza Cristina tinha um jeitinho um pouco ~truculento~ no início. 'que cabelo é esse, juliana? tá parecendo uma palha. vai já pintar esse cabelo, juliana'. 'o quê? você acha que vai continuar durinha assim a vida inteira?? acha que sua bunda não vai cair, juliana? ah, vai. academia, juliana'. eu achava bulen, sabe. mas eu estava em depressão profunda, precisava de um tratamento de choque. e juro que vi os olhinhos dela cheios d'água quando eu estava bem e recebi alta. enfim. daí eu estava na sala de espera, me perguntando. porque, né, foi só mais uma vez. só mais uma crise de choro bêbada. então um dia eu perdi a chave de casa. eu sentei e chorei na calçada, com minhas coisas todas jogadas no chão. porque eu não sou o tipo que perde as chaves de casa. eu perco o chão, perco a dignidade, perco as estribeiras, mas. não. perco. chave. de. casa. (só pra constar: bolso interno descosturado, forro da bolsa engoliu minhas chaves. eu não sou o tipo que perde chaves de casa, ok?) então tenho uma reunião com a orientadora e, de repente, estou eu repetindo como um mantra: 'não vai chorar, juliana. engole o choro, juliana'. orientadora olha pra mim, pergunta se está tudo bem e eu: caio no choro. e foi assim durante toda a semana. sete longos dias chorando no travesseiro. eu precisava admitir. psicóloga olha pra mim e eu já puxo um lencinho. e tive que começar tudo de novo. o momento mais constrangedor é sempre a parte 'bebo, fala palavrão e choro' (eu omiti algumas coisas. achei desnecessário falar que eu discuto com caras com o dobro do meu tamanho e mando sifudê. que eu lambo os peito da amiga na pista de dança. que eu faço aviãozinho de guardanapo com meu telefone pros garçons. enfim.). eu não consegui responder todas as perguntas. o mais assustador: eu não tinha todas as respostas. aparentemente, eu estou sofrendo, mas não sou pobre o bastante pra ter direito à terapia. mas saí do consultório com uma consulta ao psiquiatra agendada e uma lista de psicólogos que vão me fazer um precinho camarada. acho que vou imprimir uns posts com meus *melhores momentos*. pra evitar a fadiga. ainda não decidi o critério de escolha. mas me chamou de mal comida ou botou a culpa na mãe tá fora.
quinta-feira, 22 de março de 2012
então você faz uma peregrinação por todos os consultórios médicos, faz todos os exames. e nada. meu coraçãozinho está ok, mesmo tendo sido tão maltratado em mãos desajeitas. hormônios estão ok, tudo vai bem. nada explica. você quer desesperadamente acreditar que os resultados estão errados porque é tão mais fácil. e a verdade é que você não quer enxergar o óbvio. você não quer admitir o que os outros já perceberam, o que todos aqueles longos e dolorosos suspiros já avisaram. você está vendo acontecer. de novo. como um eterno déjà vu. como se você estivesse preso num continuum espaço-tempo vendo tudo se repetir. e, no fim do dia, você já não tem mais forças pra resistir. só espera. é como estar preso entre duas realidades paralelas, entre o universo do que já aconteceu e o do que poderia ter sido. e seu mundo está se desintegrando. você está se desintegrando. e já não tem mais forças. só espera.
eu espero por alguém que não vai chegar. espero que todos os pedaços fragmentados de mim voltem a ser um inteiro. que todas essas partes desconexas façam sentido. eu espero. é só o que eu faço. é só o que resta.
segunda-feira, 12 de março de 2012
você me perguntou qual era meu pesadelo. e, por algum motivo, não respondi. eu tenho esse mesmo pesadelo sempre. e já não consigo dizer quando começou. tem um homem tentando invadir a casa. eu vejo o rosto dele na janela, eu vejo o rosto dele em todo lugar. mas não consigo pedir ajuda. não consigo gritar porque não tenho voz. não consigo me mover porque meu corpo está paralisado. e eu sempre acordo gritando. meu pesadelo é a prostração. eu teria dito, se tivesse chance. e eu teria dito que não foi você. eu não chorei por ter ficado sozinha por cinco minutos. não foi isso. nunca é. eu disfarço, finjo que esqueço. tento manter todo o desespero escondido, tento sufocar essa mágoa que foi se acumulando. mas, em algum momento, eu perco o controle. e tudo é solidão. e isso assusta, sempre. eu não tenho amigos, você percebeu. todos fogem. ou eu acabo afastando todos antes que descubram. mas você não fugiu. você não se intimidou. você riu das minhas bobagens. você percebeu meus olhos tristes quando ninguém mais viu. eu te diria que não tenho medo de pedir, mas você já sabe. eu te diria que não há o menor risco. que eu tenho estado sozinha por tanto tempo que não sei como é ter alguém. porque eles sempre vão. porque não deve ser fácil gostar de mim. não é fácil ser eu. mas eu espero. mesmo sabendo que vai ser sempre assim. eu indo embora, você indo embora. vou esperar porque nós ainda não nos encontramos. e eu vi como pode ser. e o que eu vi me fez acreditar que sim. vou esperar porque eu ainda sinto tuas mãos. vou esperar até cansar. até não saber mais o que esperar. até alguém me fazer esquecer. eu vou esperar até você se cansar.
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