terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

fui fazer o cadastro biométrico no cartório eleitoral. depois que fui atendida, tirei o RG do plastiquinho e botei o título novo (não sei, não perguntem). quando meus pais terminaram, resolvi conferir os documentos e: não conseguia encontrar o RG. fiquei doida. mobilizei todo o cartório pra achar meu documento. saí descaralhada da cabeça, já pensando que tinha que fazer bo etc. daí minha mãe foi olhar na minha bolsa e tcharan, meu RG do ladinho do título novo. eu não reconheci o rg fora do plastiquinho. fiquei nervosa, fiquei cega, não sei, não perguntem. daí lembrei de um causo que aconteceu no shopping em campinas. um casal desesperado porque o bebê recém-nascido desapareceu, foi sequestrado. família desesperada, polícia, tv. até que alguém resolve verificar o carrinho de novo e tcharan: bebê escondido na mantinha. ai, não devia, mas eu ri. eu passei vergonha, mas pelo menos não perdi um bebê. 

posso usar isso pra tudo na vida. atravessei dois estados pra fazer um prova e não estudei como fazer um projeto de lei que vai me eliminar do concurso. pelo menos não perdi um bebê. fui pagar hotel, cartão não passou. peguei táxi, cartão não passou. passei vergonha, mas pelo menos não perdi um bebê.

sábado, 27 de janeiro de 2018

eu to cansada de ser chamada de doida. to rindo porque to feliz: doida. to chorando porque to triste: doida. to falando o que eu penso e cri cri cri bola de feno rolando, pois: doida. to fazendo o que eu tenho vontade e: doida. pois então, eu sou doida. eu vou rir descontroladamente porque me lembrei de uma piada da época da internet discada. eu vou chorar por qualquer coisa a qualquer hora em qualquer lugar. eu vou ficar enfurecida com alguma mensagem porque não li direito e reagi exageradamente. e vou esquecer no dia seguinte. eu vou curtir você por um dia e te bloquear no outro porque eu reparei que você tem mãos pequenas ou pinta o cabelo. eu vou continuar falando todo pensamento torto que aparecer às 4 da manhã porque eu não consigo dormir. porque é meu jeitinho.
doida mesmo. louca de pedra. d o i d a.

(mas vocês já sabem disso.) 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

pessoa chega nos app de paquera que nem peão de obra.
depois não sabe por que tá solteira.

domingo, 7 de janeiro de 2018

a primeira vez foi um acordar. reviver. desmontar. eu renasci, me descobri, me apaixonei, me perdi. voltei e voltei pro mesmo lugar, pro mesmo vazio. e quis morrer de novo. levou um tempo pra perceber que eu tinha que voltar. eu voltei e me redescobri, me reconstruí, me reaprendi. me fartei de mim. e eu quis viver. porque tudo acaba, eu tive que voltar, de novo. mas agora eu sei que não posso ficar. 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

comecei o ano passado bêbada, vomitando, chorando largada no chão do banheiro. este ano eu estava assistindo black mirror e tomando lambrusco. achei vantagem.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

tava fazendo não-sei-o-que e encontrei o livro dele na mesa do meu pai. achei o ~poema~ que ele me mandou e me perguntei quantos teriam sido escritos pra mim. me reconheci em muitos outros. no livro que tem uma foto da família e dedicatória pra mulher. não sei se eu deveria sentir alguma coisa porque a revisora tava cortando as vírgulas erradas e corrigindo os porquês. as vírgulas, porra.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

ah, a maravilha do mansplaining. homenzinho de merda te explicando o assunto em que você é doutora. não fode, colega.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

tava num bar depois de um dia bosta e a colega começa a desabafar. marido é depressivo (tem mais coisa aí, mas o homi não aceita tratamento), tá surtando no novo emprego depois de um mês (e uma tentativa fracassada antes disso). diz que a vida tá tudo uma merda, que não quer viver nesse inferno, quer se matar etc. colega não entende esse sofrimento todo, acha que é mimimi. porque todo mundo passa por isso, a vida é injusta, suck it up. é isso que as pessoas pensam, né? frescura. foi isso que meu pai deve ter pensado quando eu não consegui ir pra escola onde eu trabalhava. que minha mãe deve ter achado quando eu faltei prova na faculdade porque não conseguia levantar da cama. deve ser isso que meus colegas, professores e o resto do mundo pensa quando eu perco aula, não entrego trabalho no prazo, não faço prova. é triste porque é mesmo um inferno. e não vai passar. eu vou entrar e sair de crise como nos últimos 10 anos, acumulando fracasso, e as pessoas vão continuar achando que é mimimi. nunca vai embora.

***

to estudando com uns guris que acham que a vida termina aos 40 e to apaixonada por um homem casado. de novo. eu não poderia ser mais patética.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

pra quem tá fuçando o arquivo do meu diarinho: aqui só presta esta arte e a minha crítica literária. o resto é rancor derramado e mágoa vencida. perde tempo não. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

minha professora dizia que a literatura tinha a função de "nos livrar do caos do inominável". besteira. o que nos livra do caos é antidepressivo mais umas gotinhas de rivotril. só as dorga salva. o resto é perfumaria.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

- cê emagreceu! tá de dieta?
- depressão. vem com perda de apetite e vontade de morrer. super recomendo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

- to deprimida.
- bora mudar esses pensamentos.

porque, óbvio, o que me falta é ~pensamento positivo~.

tomar no cu.

TOMAR

NO 

CU

sábado, 7 de janeiro de 2017

vi uma @ explicando que estuda muito porque era deprimida e agora quer recuperar o tempo perdido. eu sempre fui depressiva funcional. tava na merda, mas estudava. mas também tenho uma sensação de tempo perdido e uma vontade (e pressa) ainda maior de preencher esse vazio. um conhecido, falando sobre a perda da mãe, disse que queria tanto viver que se fudeu. é isso. quero viver até me fuder. 

(fuder também seria bom, mas não vamos exigir demais do universo.) 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

dizem que a gente se torna mais sábio com a idade. GRANDES BOSTA. eu to aqui com uma pilha de remédio que aumenta a cada ano, tentando lidar com fios brancos, marcas, sinais que aparecem da noite pro dia e insistindo em negar os efeitos da gravidade. e, ainda assim, quando eu olho pra ontem, sempre penso: "como você foi burra, juliana". 

todo. santo. dia.

pau no cu de quem inventou samerda.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

eu sou bem boa em disfarçar, eu disse. mas ele percebeu. e eu to aqui negando porque eu só consigo reconhecer quando já não dá mais pra disfarçar. porque eu não consigo admitir. porque eu tinha um plano, tive um plano a vida toda, e falhou. e teve toronto, que foi como estar escrevendo um texto e, por estar tão envolvida, não conseguir encontrar os problemas. e, depois de se afastar, respirar, limpar a mente, voltar com olhos frescos e enxergar os erros. foi o que eu fiz comigo. com a minha vida. e eu não gostei do que vi. de toda inércia, de tanto desperdício. de todo vazio. e teve ele. e eu voltei a me sentir viva. e como foi difícil voltar pro mesmo lugar com novos olhos. querer me sentir viva e livre e segura e, ao mesmo tempo, admitir que eu estava errada o tempo todo. de reconhecer que eu não sou nada, não tenho nada, não posso querer ser nada. eu preferia ter continuado morta e não saber.